Os tumores fetais são anomalias pouco frequentes. Um dos tipos mais comuns é o teratoma sacrococcígeo, tumor em geral benigno que se origina na região do sacro e cóccix do bebê. A evolução natural desse tipo de tumor varia muito dependendo da vascularização (quantidade de vasos sanguíneos) e da composição do tumor.
Os teratomas sacrococcígeos predominantemente císticos (conteúdo líquido) e com baixa vascularização (poucos vasos sanguíneos) podem crescer excessivamente e precisar de uma drenagem intrauterina do cisto. O objetivo principal é facilitar o parto, evitar lesões no feto e incisões agressivas no útero da mãe. Trata-se de procedimento minimamente invasivo, realizado no centro cirúrgico e guiado por ecografia.
Por outro lado, os teratomas altamente vascularizados (com muitos vasos sanguíneos) podem, em algumas situações, precisar de uma coagulação com laser dos vasos principais. Também se trata uma cirurgia intrauterina minimamente invasiva, mas de maior complexidade e com riscos maiores.
Alguns tumores fetais podem acometer a região do pescoço do feto, como por exemplo o linfangioma e o teratoma cervical. Esses tumores costumam ser benignos, mas, dependendo do seu tamanho ou da sua localização, podem comprometer a via aérea do feto (via da respiração) e impedir que o feto respire ao nascer.
O diagnóstico é feito pela avaliação integral, com ecografia, por equipe de especialistas em medicina fetal. A ressonância magnética e a avaliação de equipe multidisciplinar, com neonatologistas e cirurgiões pediátricos, complementam a avaliação.
No caso de fetos com tumores grandes e/ou que comprometem a via aérea, pode ser necessária uma cirurgia fetal durante o nascimento, para garantir o acesso à via aérea antes do bebê nascer, assegurando assim que o recém-nascido possa respirar. Trata-se do procedimento EXIT, uma cirurgia intrauterina que consiste em uma cesárea modificada, realizada pelo cirurgião fetal em conjunto com especialistas pediátricos.